Universo Íntimo iniciou com um curso que criei em 2004, com a intenção de compartilhar conhecimentos acerca da sexualidade da mulher como, por exemplo, os exercícios pélvicos, a compreensão de seu ciclo menstrual, seu autoconhecimento corporal, seus orgasmos, suas dúvidas... Com o tempo esta vivência foi ganhando cada vez mais profundidade e, diante da notável necessidade das mulheres de falar destes assuntos, decidi abrir mais este espaço de informação. Universo Íntimo se expandiu e é hoje um movimento de conscientização e desenvolvimento da sexualidade sagrada, incluindo cursos, palestras e atendimentos para mulheres e para casais. Embora seja mais voltado às mulheres, vários assuntos abordados aqui são para ambos os sexos, já que trata de sexualidade. Assim, saliento aos visitantes homens que também são muito bem vindos.
Universo Íntimo é pelo amor, pela felicidade, pelo prazer de ser! Gratidão por sua visita!

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Respiração e prazer a dois

     Sabia que a respiração influencia o orgasmo, a ereção, a ejaculação e o prazer a dois? 


     Estar consciente da própria respiração e intervir sobre ela durante a atividade sexual é algo absolutamente benéfico ao prazer, tanto para as mulheres quanto para os homens.

     No caso dos homens, a respiração é uma chave para favorecer a ereção, para manter a ereção, e para o controle da ejaculação. Para as mulheres, a respiração é uma chave para a ampliação e expansão das respostas orgásticas.

     Consciente da respiração a pessoa se mantém presente em seu próprio corpo, suas sensações, e no tempo do aqui/agora, o que é fundamental na relação sexual.

     Uma vez consciente da respiração é possível, então, intervir sobre a qualidade dela. Quanto mais plena, profunda e lenta (isso mesmo!), melhores serão os efeitos sobre a excitação e o prazer.

     Acontece que, para ambos os sexos, o relaxamento é necessário para que se dilatem os vasos dos corpos cavernoso e esponjoso, presentes no pênis e no clitóris, e o sangue possa preenchê-los desencadeando a ereção.

     Pode parecer estranho que a excitação anda junto com o relaxamento, mas é isso mesmo. O SN Simpático, que acelera batimentos cardíacos e respiração, promove a ejaculação (vasoconstricção), enquanto o SN Parassimpático, que desacelera os batimentos cardíacos e respiração, promove a ereção (vasodilatação).

     Assim, aumentar a capacidade respiratória, melhorar a qualidade da respiração e atuar conscientemente sobre ela altera de um padrão de ansiedade para o relaxamento, e, consequentemente, a relação sexual poderá se prolongar a partir daí.

     Além disso, uma sincronia respiratória entre o casal é capaz de promover o intercâmbio e expansão de seus corpos energéticos, o que os levará a outro patamar de experiência sensorial.

     E então, vamos aprimorar a respiração, com carinho e afeto, junto com seu par?

     Exercícios corporais e práticas respiratórias a dois são parte da linda programação do Curso UNIVERSO ÍNTIMO para CASAIS, que acontece dia 23 de Setembro, em Florianópolis.

     AVISO: Neste curso cada casal realiza as atividades somente com seu par e tais atividades NÃO envolvem nudez.

     Inspirando e exalando Amor,
     Amrita Kaur

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Quais as características do CHAKRA SEXUAL? O que faz bem a ele?


          
          Também conhecido como chakra sacral, este é o segundo vórtice psicoenergético, de baixo para cima, conectado à coluna vertebral. 

          Seu nome original é Swadhisthana chakra, que pode ser traduzido como “a morada do ser”.

          A função dos chakras é captar, armazenar e distribuir energia vital (prana) para as funções fisiológiocas, psicológicas e espirituais do ser. É de grande importância que estes centros estejam bem nutridos e em harmonia para uma boa saúde.




          Este segundo chakra, em especial, está relacionado ao aparelho urogenital, ao sistema reprodutor e suas glândulas (ovários/testículos), e também aos canais dos rins e bexiga.
Está associado ao elemento água e ao sentido do paladar, assim, carrega em si as qualidades de fundir, dissolver, ligar, de sentir o sabor da vida, o gosto de viver, os gostos pessoais.

          Este chakra impulsiona para o encontro sexual, para a fusão com outro ser, para a potência do criar e dar vida, a seres ou a ideias.

          
          Quando este chakra está enfraquecido acarreta em disfunções sexuais e relacionais como:
  • dificuldade, na mulher, em ser receptiva ao sexo, 
  • no homem, medo de doar seu potencial sexual, o que leva à ejaculação precoce e diminuição da ereção, 
  • disfunções de desejo sexual, 
  • insatisfação sexual levando a excessivas experiências rasas e desconexas.

          A falta de tesão com a vida também é um sinal de desequilíbrio deste chakra.


          Dentre as várias ações possíveis para manter a saúde do Swadhisthana chakra, posso citar duas que fazem parte da minha vida, e que, por experiência própria, trazem excelentes resultados: a Dança doVentre e o Kundalini Yoga
          Estas são duas ações práticas que a pessoa pode fazer por si mesma para nutrir e fortalecer este chakra.

          Sessões de Terapia Vida Nova ou de Reiki, por exemplo, também atuam harmonizando os chakras e podem ser uma excelente alternativa complementar. Mesmo com estas aplicações, é interessante que se mantenha uma prática corporal constante, para que o equilíbrio estabelecido possa ser mantido, por isso indico as práticas acima.

          Há muito mais a saber sobre os chakras e sua importância na saúde e no desenvolvimento do ser, este texto é apenas uma pequena parte deste rico universo de saberes tântricos, que escrevi inspirada pela dança do meu Swadhisthana chakra. Minha principal fonte de consultas é o material do curso de formação em Kundalini Yoga, escrito por Akal Muret Singh, seguida do livro Tantra: Sexualidade e Espiritualidade, de George Feuerstein.

         
          Deixo aqui o convite para as práticas favoráveis à saúde do chakra sexual e para os cursos onde sexualidade e espiritualidade são os temas principais. 

          
          Agradeço pela leitura e reforço o lembrete de citar a referência ao se utilizar deste texto.

          Feliz fluir a tod@s!

          Álika (Amrita Kaur)



          **********





          

sábado, 19 de setembro de 2015

Ladies and Gentlemen! Com vocês... O CLITÓRIS

     Olá queridas e queridos leitores.

     Venho compartilhar aqui algumas informações interessantes tanto quanto importantes para a vida sexual amorosa das mulheres com seus respectivos companheiros(as).

     Nestes vários anos que venho realizando cursos e atendimentos na área da sexualidade, pude perceber o quanto as informações acerca do clitóris surpreendem até mesmo quem teve anatomia na sua grade de formação acadêmica. Eu mesma estudei anatomia na faculdade, mas o que trago de informações sobre este belo órgão, não foi lá que eu aprendi!
     E não é somente sobre sua anatomia que discorrerei aqui, mas sobre seus potenciais energéticos também.

     Atualmente, encontramos na mídia textos e vídeos sobre o assunto que felizmente está se tornando cada vez mais popular, mas ainda assim continua sendo novidade pra muita gente.

     Recentemente, em 1998, uma pesquisa foi publicada trazendo à tona o assunto e apresentando esta sagrada parte do corpo da mulher em toda a sua grandiosidade, desmontando o que se dizia até então, de forma limitada ou equivocada sobre este tal integrante do corpo feminino, o clitóris.

     Curioso é que esta informação não é tão nova assim, no entanto esteve oculta por longa data. 

     De acordo com a autora Catherine Blackledge, a palavra clitóris apareceu pela primeira vez como termo anatômico nos escritos de Rufus de Éfeso, no século I DC. Cerca de 1500 anos depois anatomistas disputavam a nomeação desta que imaginaram ser uma descoberta anatômica, mas que, no entanto, já constava há muito nos escritos de Rufus, o que evidencia que estes anatomistas não tiveram acesso a estas informações.
     Em 1672, Reinier De Graaf, anatomista holandês, escreveu:

     “Ficamos extremamente surpresos que alguns anatomistas não façam menção de uma parte, como se ela não existisse, em todo o universo da natureza. Em todos os cadáveres de mulheres que dissecamos até hoje encontramo-lo bastante perceptível, tanto à visão, como ao tato. É pequeno em algumas mulheres e maior em outras... A parte externa do clitóris é coberta pela mesma membrana que as partes pudendas... As outras partes do clitóris ficam ocultas na região gordurosa do púbis e, por essa razão, diz Falópio, escaparam de nossa atenção e vamos examiná-la individualmente... As mais importantes, em nossa opinião, são dois corpos nervosos (corpora nervosa)...eles têm sua origem na parte inferior dos ossos pubianos, cada qual em um lugar distinto, procedem obliquamente para baixo, em ambos os lados, por baixo desses ossos, unem-se e formam um terceiro corpo...as partes bifurcadas do clitóris são duas vezes maiores que as partes reunidas.”

     Além da estrutura, De Graaf discorreu também sua função de prazer e relação com a reprodução, enobrecendo justamente o órgão.

     Contudo, daí por diante, até sua redescoberta em 1998, o clitóris desapareceu de parte dos livros de anatomia, ou quando constava era apenas citado como um pequeno ponto de tecido, sem suas partes internas e sem referências à sua nobre função.

     Então... vamos ao que mais interessa!

     O clitóris é constituído de glande, corpo, ramos ou crus e tem junto a este “Y”, o bulbo do clitóris. A parte que se externaliza é somente a glande do clitóris, todo o restante encontra-se no interior do corpo. É um órgão sensorial, muitíssimo inervado, cuja única função é gerar prazer! 

     Quando há excitação, o clitóris fica ereto, isto mesmo, ereto - mulheres também precisam de ereção para a penetração, é absolutamente necessário. Na excitação o corpo do clitóris se levanta, a glande se externaliza e as pernas se levantam em direção à coluna vertebral, ao passo que o bulbo se enche pressionando todo o entorno da uretra e vagina. Em repouso, o corpo e a glande do clitóris se recolhem sob o prepúcio, as pernas baixam em direção às coxas e o bulbo se esvazia.

Ultrassonografia 3D do clitóris ereto
 Dr. Odile Buisson e Dr. Pierre Földes - França, 2009.

Ultrassonografia 3D do clitóris ereto
 Dr. Odile Buisson e Dr. Pierre Földes - França, 2009.


      Na excitação, juntamente com a ereção do clitóris, a vagina se lubrifica e dilata-se, o útero se movimenta e é isto que faz com que apareça o espaço necessário para a penetração. Em repouso, o espaço que existe do orifício vaginal até o colo do útero é a medida do dedo indicador da mulher, neste caso, se houver penetração, será desconfortável, incômoda ou ainda dolorida...compare o indicador da mulher com o pênis ereto de seu companheiro e isto se tornará óbvio.

    Porém, se o grande amigo clitóris for adequadamente motivado a exercer suas habilidades inatas, o cenário se transforma completamente e se torna palco das mais belas e excitantes histórias de amor.

      Além da estimulação na glande, quando ereto, o clitóris será também estimulado pelo toque do dedo ou do pênis no interior da vagina, proporcionando uma infinidade de combinações de estímulos e sensações.

     Quero frizar que embora atualmente se coloque o clitóris como um órgão exclusivamente para o prazer, há de se considerar seu papel na reprodução, as reações prazerosas desencadeadas a partir dele favorecem enormemente a fertilidade. Prazer e concepção estão intimamente ligados.

     Agora, indo além da anatomia e da fisiologia, o clitóris ainda reserva maravilhosos potenciais energéticos.

     Antes de todas estas abordagens anatômicas, esta divina parte do corpo da mulher já marcava presença nos ensinamentos orientais milenares. Mas imagine, se já o ocultaram dos manuais de anatomia, que dirá dos seus poderes energético-espirituais...

     Há bem pouco sobre isso que esteja facilmente acessível, mas já é suficiente pra nos instigar a descobrir mais.

     Conforme publicou o mestre taoísta Mantak Chia, assim como temos na planta dos pés um mapa de todo o corpo, assim como na orelha, na íris, também os genitais têm seus pontos reflexos dos órgãos internos e glândulas. A glande do clitóris se reflete nas glândulas pineal e pituitária (glândulas imprescindíveis para os processos de meditação), já o corpo do clitóris reflete nas supra-renais e timo.

     Ainda, conforme os ensinamentos do mestre Yogi Bhajan, a mulher, na sua natureza energética, recebe a energia da lua ciclicamente em 11 pontos no corpo, sendo o clitóris um destes 11 pontos lunares.

     A autora Margo Anand faz referência a um canal sutil de energia que percorre o clitóris, os mamilos e os lábios, relação que nós mulheres podemos sentir claramente durante um contato sexual amoroso.  Interessante que mesmo não sendo da mesma fonte de ensinamentos, esta informação aparenta relação com a anterior, já que e os lábios e também os seios são outros 2 dos 11 pontos lunares.

     O clitóris também pode ser estimulado de forma a movimentar a energia sexual fogo (yang), ou de forma a movimentar a energia sexual água (yin), cada uma produzindo sensações e efeitos próprios.

     Isso tudo sem falar nas práticas naturais e conscientes que aprimoram os potenciais físicos deste maravilhoso órgão, como a automassagem de descolamento do prepúcio, por exemplo.

     Por fim, pra fecharmos este artigo, deixo aqui dois links interessantes sobre o assunto: 

     Deixo também o convite para os cursos Universo Íntimo paraMulheres; Universo Íntimo para Casais; Vivências do Útero; e Círculo de Aprofundamento UniversoÍntimo para quem queira mergulhar mais fundo na Sexualidade Sagrada.

Prazerosamente,

Amrita Kaur

domingo, 11 de janeiro de 2015

TANTRA - sexualidade, espiritualidade, experiências e percepções.

          

            Olá querid@s leitores!  

            Aqui estamos com este belo tema! Escrever sobre tantra não é lá muito fácil...

            Já havia tentado algumas vezes e acabei por desistir no caminho, pois para mim, tentar colocar tantra em palavras reduz quase completamente o seu significado, no meu entendimento. Percebi que para elucidar o que é tantra da forma como o compreendo precisaria passar por todas as instâncias da existência, o que renderia um volumoso livro, e para isso, prefiro indicar os bons livros já publicados.

            Contudo, tentarei trazer de forma sucinta alguns pontos mais relevantes pra ocasião deste texto e relatar algumas das minhas experiências neste caminho, na intenção de favorecer algumas reflexões para quem se interessa por este tema.

Shri Yantra

            Tantra é uma palavra do sânscrito que apresenta vários significados distintos, mas, ainda assim, correlacionados. Vem do radical tan (estirar, estender, expandir), com o sufixo tra, que indica instrumentalidade. Conforme o contexto pode ser traduzida como teia, tear, tecelagem,urdidura, lançadeira, continuidade, sucessão, sistema, ritual, doutrina, compêndio,  escritura, inicialmente escrituras contendo ensinamentos do tantra, mas também se refere a livros didáticos e manuais em geral.

            Dentre estes vários significados, podemos entender tantra como instrumento de expansão, e esta expansão refere-se à consciência, sabedoria, iluminação.
            Eu particularmente gosto de “teia” ou “tear”, pois traz para mim uma imagem do todo interconectado da existência, a grande malha cósmica que une, está e contém tudo e todos(as) simultaneamente.

            Segundo André Van Lysebeth, atualmente “para a maioria dos indianos, tantra designa qualquer doutrina ou culto não-védico (...)”; e segundo Georg Feuerstein, “historicamente, tantra denota um estilo particular ou gênero de ensinamentos espirituais que começou a ganhar espaço na Índia cerca de 1500 anos atrás – ensinamentos que afirmam a continuidade entre Espírito e matéria.”

            Bom, minha curiosidade neste tema me levou a algumas vivências e através destas cheguei na  compreensão do tantra como um caminho espiritual.

            Interessante é que as primeiras experiências que me sintonizaram com tantra vieram por outros caminhos que não alguma “escola tântrica”... foram as vivências de iniciação no Sagrado Feminino e na Sexualidade Sagrada que cheguei por meio da dança do ventre. Ali foi o início da minha compreensão consciente das correlações entre os ciclos da natureza e do corpo, de vida/morte/renascimento, das polaridades, do Uno... e também as primeiras percepções do fluxo de energia no meu corpo.

            Pouco tempo depois fiz uma aula experimental de Kundaliní Yoga (ensinamentos de YB) que foi totalmente de encontro ao que eu vinha vivenciando e conhecendo de corpo/energia naquele momento. Até então eu nada sabia das bases tântricas da Kundaliní Yoga. Segui praticando-a, segui no Sagrado Feminino, na dança e lendo sobre Tantra. Outras oportunidades vieram com o tempo, participei de palestras, cursos e grupos de tantra de diferentes linhas. Embora apresentando práticas e abordagens distintas, todas elas convergiram em um ponto: a vivência/experiência.

            É parte da nossa cultura atual uma supervalorização do intelecto e consequentemente daquilo que está escrito, publicado e racionalmente comprovado, o que naturalmente nos leva a LER sobre tantra, porém não está aí a grande fonte dos ensinamentos, é necessário vivenciar, sentir, experienciar, permitir-se acessar a fonte da sabedoria, o seu próprio saber diretamente conectado com a origem divina da sua existência, sua própria origem. A vivência se dá primeiramente através do corpo, da matéria, dos sentidos e então pode seguir para além destes.

            Você pode ler livros e mais livros, artigos e pesquisas avançadas sobre meditação, entender seu mecanismo de funcionamento, benefícios e tal, mas isso não te mostra o meditar de fato. Então você pratica, experiencia as etapas deste caminho, vivencia a meditação e saberá com clareza o que é isso. Talvez sua experiência seja tão completa em si mesma que não se façam necessárias teorias sobre ela.

            Olhando para o tantra como instrumento de expansão da consciência, conforme uma de suas traduções, as tradições tântricas possuem formas de despertar, mobilizar, direcionar e ascender a energia vital, transcender os opostos e acessar a unicidade divina. Os conhecimentos tântricos sobre chakras, nadís e kundaliní estão evidentes nesta parte da tradição.


            Uma vez que o estado divino de unicidade antecede as polaridades na existência, o caminho inverso, pra acessar esta dimensão da origem, implica na união harmônica destas polaridades, as energias feminina e masculina. Neste ponto reside a imensurável beleza da Sexualidade Sagrada e ao mesmo tempo toda a confusa interpretação ocidental da relação entre tantra e sexo...

            Entender tantra como uma via de contato sexual é um equívoco, reduzir tantra a um manual de sexualidade – frisando que sexualidade é diferente de contato sexual - é um pouco “menos pior”, mas ainda assim é muito raso, é como fazer um curso de dois meses sobre dor de garganta e sair deste dizendo que é médico, percebe?

            Também, quando se fala de polaridades feminina e masculina neste contexto, é mais amplo que mulher e homem, refere-se às energias presentes nas diversas formas da existência. Há todo um conjunto de ações, comportamentos e atitudes diárias, consigo mesm@, com @s demais, com os alimentos, com os animais, com as plantas, com a Mãe Terra, com os astros...a teia da existência, somos um todo interligado, e tudo isto faz parte deste caminho espiritual.


            É fato que existe o contato sexual em um determinado estágio da prática espiritual de algumas tradições tântricas no Oriente, contudo, tal ritual é essencialmente diferente daquilo que nós ocidentais entendemos como sexo culturalmente aqui. Para se olhar pro encontro sexual ritualístico do tantra no Oriente é preciso inicialmente desmanchar os pré-conceitos sobre sexo, comuns na cultura ocidental, reconectar com o significado sagrado do ato criador da vida e compreender todo o contexto, bem como o processo de tal tradição até se chegar neste estágio do contato sexual, que não é a qualquer tempo com qualquer pessoa, quem o representa passa por iniciações e preparo espiritual durante anos.  

            Imagine que você é visitante de uma comunidade, você acaba de chegar no local e presencia uma discussão seguida de uma briga, todos estão vendo e ninguém se importa, você indignad@ aparta a briga e imediatamente descobre que aquilo não passava de um ensaio de teatro, tod@s ali sabiam e por isso não se importavam.

            Olhar pra um ato de outra cultura, sem estar inserido em seu contexto, fragmenta o fato e o coloca sob um olhar que é baseado em outros conceitos, sujeitando-o inevitavelmente a interpretações errôneas. Algo importante de se lembrar ao ver um ritual de uma outra cultura.

            Mas não são todas as tradições que apresentam ritual de contato sexual, há diferentes formas de agir sobre a energia vital mantendo o mesmo propósito. Dentre as minhas experiências pude conhecer algumas abordagens distintas, perceber seus efeitos imediatos e tardios e decidir o caminho a seguir.

Tantra Yoga Branco

            Todo trabalho de ativação de energia feito em grupo se potencializa. Experimente entoar um mantra sozinh@ sentindo sua vibração, depois experimente fazê-lo em grupo e sentirá que é outra vibração. Isto se dá pela formação de um campo de energia gerado pela vibração conjunta d@s integrantes do grupo.

            No caso de um grupo tântrico, por exemplo, esta vibração do campo gerado influenciará a vibração pessoal de cada um(a) do grupo. As energias de maior densidade d@s integrantes do grupo, que necessitam ser modificadas em sua frequência pra entrarem em sintonia com uma vibração mais sutil, serão transmutadas em outro campo cuja vibração é mais elevada do que a deste campo gerado pelo grupo, para isso acontecer é imprescindível que o trabalho seja adequadamente guiado, quem guia deve estar em conexão direta com o campo mais sutil e será então o canal de transmutação destas energias do grupo. Se isto não ocorrer todas estas vibrações permanecerão neste campo, eventualmente o próprio campo pode vibrar de forma a processá-las, mas não se pode contar com isso. A corrente espiritual com a qual o grupo entrará em sintonia faz toda a diferença.  

            Daí a importância de se ter atenção na escolha do terreno em que vai pisar. Tantra é uma energia muito potente e intensa e precisa ser mobilizada adequadamente pra que realmente se manifeste como instrumento de expansão da consciência e também pra que seja mobilizada em benefício de todos os seres.

            Pra finalizar, ressalto que as vivências em grupo são poderosas e importantes, mas obviamente não eliminam a necessidade do eficiente trabalho diário sobre si mesmo. Cada um(a) é responsável por sua própria vibração de consciência.


            Meditemos! _/\_

http://alexgrey.com/

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

TOCAR-SE É AMAR-SE - um olhar sobre a masturbação consciente

Olá felizes visitantes deste blog!

Hoje venho compartilhar com vocês algumas reflexões, dicas e informações acerca da masturbação. Assunto que faz parte do Curso Universo Íntimo, e que, volta e meia, surge também nas minhas aulas, atendimentos e conversas em geral.

O termo masturbar vem do latim masturbare que une manus (mãos) + turbare (sacudir, mexer, chacoalhar) e adquiriu o significado de estimulação genital (manual ou com objetos) com a finalidade de gerar prazer, em si mesma(o) ou no(a) parceiro(a).
Aqui neste texto a abordagem será sobre a auto estimulação, o masturbar-se.

Masturbar-se...
Gosto de definir masturbar-se como o ato de amar a si mesmo, um ato de amor próprio, sim!
Você se ama?

Bom, pra você que leu aquele outro texto deste blog sobre respiração e orgasmos, se quiser começar esta leitura tal como aquela, experimentando, ok...o texto estará aqui quando você voltar...
... em quanto tempo você acha que estará de volta? 10 minutos... 20... 1 hora? Quanto tempo dedica para amar-se?

Pra algumas pessoas pode parecer estranha esta relação entre masturbação e amor próprio, é bem mais comum relacioná-la com culpa, pecado, com estar fazendo algo errado e coisas assim. Especialmente nestes casos, mais ainda se convém retomar as funções, importância e benefícios da automasturbação. Para aqueles(as) que compreendem facilmente esta relação, outras reflexões virão, tais como descondicionamentos e formas de avançar na relação íntima consigo, por exemplo.

Desenho de Auguste Rodin
Para começar, a automasturbação é uma excelente ferramenta de autoconhecimento.
Nós nascemos com este corpo, divina criação, e temos muito a aprender sobre ele, desde o início da vida até o fim. Assim como pesquisamos os movimentos do corpo até descobrir como engatinhar, ficar de pé, caminhar etc, também pesquisamos os sons que somos capazes de emitir até falar, e também pesquisamos as sensações táteis que cada parte do corpo pode sentir. É um processo natural de autodescoberta desta maravilhosa forma que nos é dada na vida material, o corpo. Estas percepções táteis estão presentes desde a vida intrauterina. Este parágrafo é só pra enfatizar a naturalidade do ato de tocar-se.
O foco no autoconhecimento é algo que deve ser mantido durante a automasturbação ao longo da vida. Se você perdeu este foco com o passar dos anos, o que vem acontecendo com muitas pessoas, trate de recuperá-lo já! Seu corpo é uma joia divina e preciosa capaz de proporcionar-lhe inúmeros prazeres indescritíveis, descubra-os! “Conheça-te a ti mesmo”.

Ao conhecer seu corpo, seus pontos sensíveis, formas de estimulá-lo e seu potencial de prazer, você fortalece sua autoestima e sua segurança para o sexo a dois.

Aliás, falando de sexo a dois, aproveito pra trazer mais uma colocação sobre a automasturbação e a relação a dois. Uma coisa é a sua relação sexual/amorosa com seu/sua parceiro(a), outra coisa é a sua relação sexual/amorosa com você mesma(o). Uma não exclui a outra, muito pelo contrário, se complementam excelentemente. Outro pensamento comum sobre a automasturbação é este de que ela se torna necessária somente quando se fica solteira(o), mas não, é uma grande aliada da relação a dois. Amor próprio e amor ao próximo.

Considerando que se trata de uma ferramenta de autoconhecimento, chegar ou não ao orgasmo é algo opcional. Isso mesmo! O orgasmo não precisa ser objetivo da automasturbação, o prazer sim, em suas várias formas e intensidades. Daqui vou pra três outras reflexões. Uma é relacionada à automasturbação como alívio de ansiedade, outra é sobre o condicionamento da resposta orgástica, observe que em ambas as situações o autoconhecimento saiu do foco, e a terceira é sobre o cultivo de energia vital.

Frequentemente ouço este relato de “me masturbo quando estou muito agitada(o) e ansiosa(o)...” Realmente o orgasmo libera uma série de substâncias com efeitos calmantes, mas se você se identificou nesta situação, sugiro que olhe com mais atenção para esta ansiedade, respire melhor e busque outras formas de aliviá-la, até porque terão várias circunstâncias em que você não poderá se ausentar pra masturbar-se, não é mesmo? E se você mergulha na automasturbação estando previamente calma(o) e presente na ação isto lhe será muito benéfico, confie.
Quanto ao condicionamento da resposta orgástica é o seguinte: o corpo é potencialmente capaz de prazeres imensuráveis, estas experiências vão ocorrendo gradualmente e num crescente a partir do momento em que se dispõe a subir mais um andar ao invés de abrir a porta do andar de sempre, entende?  A resposta orgástica X deflagrada pelo estímulo X fica registrada no cérebro, ou seja, você aprende que, se tocar naquele lugar, daquele tal jeito naquela velocidade vai acontecer aquele orgasmo, fica condicionado. Aí toda vez você se estimula daquele jeito pra ter aquele resultado. Ok, você se conhece neste orgasmo e talvez isto lhe seja o suficiente, mas vale saber que retomando aquela curiosidade inata da autodescoberta do corpo você pode descobrir algo ainda melhor!

Além do que já foi escrito, a automasturbação é também ferramenta no cultivo de energia vital. Neste caso o autoconhecimento certamente está em foco, trata-se de algo intrínseco a este processo. Só é possível cultivar e direcionar energia vital através da masturbação se esta for consciente.

Como? 

Em qualquer das situações citadas acima, para a automasturbação benéfica, focada no autoconhecimento, é imprescindível estar atenta(o) à sua respiração e manter-se no aqui agora. Isto significa deixar passar qualquer pensamento fantasioso (sim, masturbar-se sem fantasiar!) e trazer toda a sua atenção para a sua ação, sensações do seu corpo e sua respiração.
Você se mantém atenta(o) nas sensações de seu/sua parceiro(a) quando faz amor com ele(a) certo? Então se manterá atenta(o) nas próprias sensações quando fizer amor com você!
Um ponto importante a ser considerado aqui é a diferença entre os gêneros. A dinâmica energética é diferente para homens e mulheres, no caso dos homens, provocar ejaculações, fora do intercâmbio de energia de uma relação amorosa com a companheira, leva a um desperdício de energia vital. A auto-estimulação consciente será interessante para desenvolver e aprimorar o comando sobre a sustentação da ereção e contenção/liberação da ejaculação, sendo a respiração ponto fundamental para adquirir tal comando.

Ame-se e viva feliz!

Um abraço,

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Ejaculação Feminina

                Eis a questão...
                Pra quem já vivenciou ou presenciou não resta dúvida, mas pra maioria ainda há controvérsia no assunto. E não é de se espantar, afinal, se ainda hoje encontramos um grande número de mulheres que não vivenciam um orgasmo, seja por questões psicológicas ou por estimulação inadequada, que dirá uma ejaculação daquela do tipo “chafariz”.
Como o fato se tornou pouco frequente, provavelmente pelos vários encouraçamentos que interferem na vivência plena da sexualidade, até pouco tempo atrás, mesmo profissionais da área ginecológica questionavam sua existência. Hoje em dia, com a facilidade de acesso e de troca de informações via internet, a ejaculação feminina tornou-se um assunto mais difundido.
 Uma das questões que cerca este tema é se toda mulher pode ejacular ou se é privilégio de algumas.
Eu defendo que todas nós mulheres nascemos devidamente equipadas para “momentos chafariz”, no entanto, o manual de instruções foi perdido (pra não dizer vetado) há gerações atrás. O simples fato de não saber que existe este fenômeno já é suficiente pra que uma mulher, estando próxima dele ocorrer, o iniba por associá-lo a uma vontade de urinar, já que é pela uretra que este jato sai.
Catherine Blackledge, em seu livro “A História da V”, cita a seguinte descrição feita por Gräfenberg (aquele que deu nome ao ponto G):
“Ocasionalmente a produção de líquidos é tão profusa que é preciso colocar uma grande toalha por baixo da mulher a fim de se evitar que se molhem os lençóis...Se for possível observar o orgasmo de uma dessas mulheres, veremos uma grande quantidade de um líquido claro e transparente ser esguichado não da vulva, mas da uretra...Nos casos por nós observados, examinou-se o fluido e não tinha características de urina. Fico inclinado a crer que o que se diz ser a urina expelida durante o orgasmo feminino não é urina, mas secreções das glândulas intrauretrais correlacionadas às zonas erógenas que se encontram ao longo da uretra na parede anterior da vagina.”



A uretra está envolta por um tecido esponjoso erétil, por tecido prostático, e por um grupo de glândulas e seus dutos. Na mulher excitada estas estruturas se intumescem e ampliam as sensações de prazer ocasionadas pelo estímulo na parede anterior da vagina, que é adjacente à uretra. E é destas estruturas que a ejaculação feminina provém. Os jatos são ocasionados por uma forte pressão dos músculos nas glândulas, e o fato de algumas mulheres apresentarem jatos e outras não está relacionado, entre outras coisas, com a força de sua musculatura pélvica.
Além da força do músculo, o tipo de movimento feito com a musculatura pubococcígea também influencia o jato, ele está ligado com o movimento expulsivo, aquela força que empurra as bolinhas de pompoar, ou o pênis, ou o bebê que está nascendo, para fora.
Interessante considerar também que nem sempre esse fluido será expelido para fora do corpo. No mesmo livro citado acima Blackledge descreve a seguinte pesquisa:
“Numa tentativa de esclarecer se a ejaculação retrógrada feminina era possível, analisaram-se amostras de urina – tanto de antes como de depois do orgasmo – para ver se continham o antígeno específico da próstata (PSA). Incluíram-se 24 mulheres nesse estudo e seis delas tiveram também seu ejaculado analisado. Essas mulheres ficaram pelo menos dois dias sem ter nenhuma relação com homens e se masturbaram até atingir o orgasmo. Os resultados foram surpreendentes. O PSA não foi detectado em nenhuma urina pré-orgásmica, mas foi detectado em quantidades significativas na urina pós-orgásmica de 75% das mulheres, o que sugere que a próstata feminina secreta fluidos durante a excitação sexual e/ou orgasmo, e que a ejaculação retrógrada de secreções prostáticas não é incomum.(...)”
Geralmente tal ejaculação é acompanhada por enorme prazer, pode tanto ser simultânea ao orgasmo, como vir antes ou depois do mesmo, e sua coloração e aroma são característicos.
 Embora no ocidente ainda se questione, no oriente este fenômeno é descrito há muito tempo em manuais sexuais da China, do Japão e da Índia.

             Importante ressaltar que este fluido é rico em substâncias benéficas e necessárias ao corpo da mulher. Assim, a "ejaculação retrógrada" da pesquisa citada acima pode ser considerada uma inteligência da natureza. A ocorrência espontânea da ejaculação feminina numa relação a dois, onde há intercâmbio de energia pode ser bem recebida, no entanto provocar a ejaculação fora da relação amorosa leva à perda e desperdício de energia. Uma vez consciente o fenômeno é passível de comando, podendo ser liberada ou contida a ejaculação conforme quiser a mulher.
Se você esteve próxima deste momento agora já sabe como pode prosseguir.
Bons fluidos pra todas e todos!
Até breve,

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Respirar, amar e gozar - o papel da respiração nos orgasmos

Pare!

Antes de prosseguir esta leitura observe como está seu corpo e sua respiração. Apenas observe.

Sente-se confortável?

Reacomode-se se precisar, tranquilamente, não há pressa, este texto estará aqui por muuuito tempo...

Agora, inspire longa e profundamente, acompanhe o caminho do ar até seu umbigo.

Então exale calmamente...suspire...

De novo... e de novo...e de novo... e observe-se novamente... E continue!

Se tiver feito isso, terá feito algo por si mesmo mais importante do que ler este texto agora até o fim.

Assim como todas as nossas atividades, nosso organismo, nossas emoções, também a qualidade e intensidade dos orgasmos estão diretamente ligadas à qualidade da respiração.
Lembro-me de uma aula de dança que fiz anos atrás, eu ia participar de um exame, uma seleção de bailarinas, e a professora gentilmente abriu um espaço na aula pra que eu dançasse e ouvisse as observações de todas ali. O comentário da professora foi algo do tipo: “Sinto que falta você respirar”. Como assim? - perguntei. Eu tinha acabado de estudar a fisiologia do aparelho respiratório pra prova da faculdade, “todo mundo que está vivo respira, respiramos sem pensar” eu pensava, como faltava eu respirar???
Daí em diante fui me atentando cada vez mais à minha respiração e compreendendo melhor o que ela me disse.  Naquela ocasião eu estava mesmo ansiosa, preocupada com a avaliação, dançando mais com o pensamento que com o corpo, tudo bem aparente na respiração curta que eu mantinha na época.
De fato, aproveitamos muito pouco da nossa capacidade respiratória. Basta irmos a uma aula de canto, ou de natação, ou de Yoga para percebermos isso rapidamente.
A respiração está na base da Psicoterapia Reichiana, do Renascimento de Leonard Orr, do Pilates, das aulas de Graham, por exemplo. E mais antigas que estes são as várias meditações orientais, Yoga, Tai Chi Chuan, entre outras práticas onde a respiração plena é o ponto principal.

Respiramos adequadamente quando bebês, com o passar dos anos é que isto se desajusta.
David Boadella, em sua publicação sobre o trabalho de W. Reich, escreve: “Quase todas as emoções fortes – choro, raiva, medo e prazer -, envolvem aumento da respiração. Assim não é de surpreender que se uma pessoa quer reprimir essas emoções, a redução da respiração seja uma dinâmica central.”
Vejam no vídeo a seguir o que diz Dr. José Ângelo Gaiarsa sobre a respiração:
Gaiarsa - respiração e angústia
E o orgasmo nisso? Vamos lá:
*Existem vários níveis de orgasmos, a maioria das pessoas experiencia somente os primeiros destes níveis. A expansão destas sensações acontecerá através da respiração. Mesmo que a estimulação tátil seja ótima, se a respiração for superficial ou tensa bloqueará esta expansão.
Você pode experimentar um manual inteiro de posições sexuais, usar o modelo high tech de vibrador, praticar exercícios com pesinhos e o que mais quiser, se não tiver uma respiração plena, não sairá do mesmo padrão de sensações que seu corpo já conhece.

*Sensações orgásticas se espalham por todo o corpo quando há relaxamento, este, por sua vez, é acompanhado de respiração calma e profunda.

*A respiração consciente nos mantém no presente. Seja na relação com o(a) companheiro(a), ou na autoestimulação, a atenção deve estar no presente, nas próprias sensações e no seu par.
Fantasiar para gozar é uma ação que tira a atenção da respiração e do momento presente, e também leva ao mesmo padrão de sensações já conhecidas, impedindo novas descobertas de sensações.

*Há várias combinações de respirações, movimentos pélvicos e estímulos táteis (não só nos genitais), cada uma delas proporciona uma gama de sensações diferentes. Aqui, me refiro ao corpo da mulher, às combinações que experimentei e ensino nos meus cursos, não tenho como afirmar se para o homem teriam os mesmos efeitos, embora eu acredite que sim.

*Também é através da respiração que os homens obtém comando sobre a ejaculação, o que os leva a novas experiências de prazer e relação; e que o pico do orgasmo pode ser contido aumentando a excitação que o antecede, ou estimulado a acontecer.

Minha inspiração pra falar sobre orgasmo e respiração veio depois de ter vivenciado uma experiência orgástica intensa, prolongada e indescritível, sem nenhum estímulo no genital, num curso de massagem que participei em 2011.
Àqueles e àquelas que desejarem vivenciar esta experiência, não é garantido que este estado aconteça de imediato, isso varia conforme a história de cada um, conforme a sintonia de energia entre o par, e dependerá também, adivinhem...(riso), da respiração, claro!

*Quanto mais profunda e livremente eu respirava, mais surgiam novas sensações, e mais intensas se tornavam estas sensações.

Nosso corpo sutil, por onde a energia circula, está além e através do corpo físico, e conforme cita G. Feuerstein, “...é altamente responsivo à mente e reflete quase fielmente os estados mentais de uma pessoa.”

*Respiração é o meio pelo qual o corpo sutil se alimenta de energia vital, e isto é fundamental para o prazer.

Para finalizar, acrescento mais dois vídeos do Dr. Gaiarsa, no primeiro ele fala sobre a relação entre respiração, orgasmo do homem e o início da vida sexual; e no segundo faz um relato sobre uma experiência de êxtase, após refletir sobre a sensibilidade dos genitais. Verifiquem:
*Gaiarsa - respiração/orgasmo  *Gaiarsa - sensibilidade genitais/ êxtase
Com carinho, inspirações e suspiros,

quinta-feira, 24 de março de 2011

A progesterona em nosso humor e apetite sexual

          As reações físicas, emocionais e comportamentais que resultam dos hormônios dependem da combinação entre eles, e não somente da taxa de um hormônio, ou seja, devem ser observados em conjunto e não isoladamente.
          No entanto, cada hormônio carrega suas características; conhecer as ações de cada um deles nos ajuda a compreender melhor nossas mudanças de humor e, consequentemente, entrar em harmonia com nosso corpo.

          Neste texto compartilho com vocês algumas informações sobre a progesterona e seus efeitos sobre o apetite sexual.

          A progesterona é um dos hormônios atuantes no ciclo menstrual. É produzida pelos ovários, pelas glândulas supra-renais e, durante a gravidez, pelo corpo lúteo.
          Na primeira metade do ciclo (do sangramento até a ovulação) a progesterona se mantém baixa em relação ao estradiol, é após a ovulação que a progesterona aumenta, mantendo sua curva próxima do estradiol, atingindo seu pico cerca de uma semana após a ovulação. Ela prepara o endométrio para implantação do embrião, não ocorrendo a nidação, o corpo lúteo para de fabricar progesterona e estradiol, e a queda destes ocasionará a descamação do endométrio iniciando um novo ciclo.

          A seguir transcrevo alguns trechos do livro "Alquimia do Amor e do Tesão", da Dra. Theresa L. Crenshaw:

          "A progesterona é o "agressor sexual" natural. Ela mata o impulso sexual em ambos os sexos, principalmente por reduzir a testosterona. A Provera, progesterona sintética, é um "agressor sexual" tão potente que já foi empregada para castrar quimicamente estupradores de crianças e outros agressores sexuais. A progesterona sintética também é o principal componente do implante Norplant e de diversos outros anticoncepcionais. (Pense nas implicações disto sobre a libido da mulher: a progesterona revela uma propriedade anticoncepcional não prevista, acabando com o nosso interesse por sexo.) Além disso, a progesterona reduz os odores sexuais positivos (feromônios) em animais, podendo até provocar na mulher um cheiro desagradável aos homens, o que reduz a probabilidade de atração recíproca numa noite de sábado.
          A progesterona é um hormônio paradoxal. Por um lado, pode tornar as mulheres irritáveis e agressivas - irritáveis com relação aos homens e agressivas para proteção da prole. Nesse aspecto, esse hormônio tem efeito similar ao da testosterona, provocando hostilidade não só contra os intrusos, mas também contra o marido ou companheiro.
No reino animal, os machos frequentemente atacam e/ou comem a prole. É o reflexo maternal - devido principalmente à progesterona - que protege os filhotes contra todos os perigos, inclusive os próprios pais. Contudo, embora leve as fêmeas à ação agressiva, a progesterona também torna as mulheres carinhosas, principalmente para com os filhos. Sabe-se que este hormônio tem propriedades levemente sedativas, anestésicas, além de exercer um efeito calmante. Esses efeitos aparentemente contraditórios talvez venham a ser explicados no futuro, quando se descobrir a presença de diversas formas de progesterona, tendo talvez cada uma delas suas características específicas."

          "...Muitos métodos de controle de natalidade contêm altas doses de progesterona sob uma forma ou outra. Sem um bom conhecimento do efeito que essas substâncias acarretam sobre a sexualidade e o estado emocional, você não estará preparada para fazer a escolha adequada. (...)
          É necessário não esquecer que, quando a ovulação é suprimida e o ciclo normal do mix sexual feminino se altera, haverá como consequência uma mudança nos picos sexuais normais de uma mulher."

          "...Quando os níveis de progesterona estão altos (e os estrogênios estão baixos), durante a segunda metade do ciclo, a mulher pode se sentir protetora e preferir o contato físico e o aconchego em vez do sexo "genital". (...)
Você percebeu que ela estava cansada demais para o orgasmo, mas que teria aguentado ser acariciada a noite inteira? Este é um estado natural e maravilhoso, comum às mulheres durante certos períodos de seus ciclos."

          A necessidade de um método contraceptivo deve ser considerada. Cada mulher/casal fará o balanço dos prós e contras de cada opção e decidirá aquilo que melhor lhe atende em seu momento. Para isto, todas as informações sobre cada método devem ser disponibilizadas.
          Várias mulheres já me questionaram durante os cursos sobre a queda no apetite sexual que vinham sentindo, e não haviam sido informadas sobre este possível efeito do anticoncepcional receitado. Aquilo que deveria ser um incentivo para a vida sexual do casal acabava por desestimulá-la.
          Cada mulher é única e cada corpo é um corpo, assim, as reações podem ser percebidas com maior ou menor intensidade para cada uma. Quanto mais a mulher conhecer seu próprio ciclo, mais condições terá de observar os efeitos favoráveis ou desfavoráveis do medicamento em seu corpo/humor, facilitando a escolha do método.

          No ciclo menstrual natural, sem uso de anticoncepcional químico, considerando os efeitos da progesterona, podemos enfatizar que o período após a ovulação está mais favorável para o aconchego, para contatos físicos acolhedores e relaxantes como massagens, banhos especiais, colo e carinhos delicados. Desta forma, o contato sexual do casal se mantém e se reduz a probabilidade de sintomas como irritabilidade, intolerância, desânimo e outros, frequentes na síndrome pré menstrual.

          A progesterona também aumenta, juntamente com a prolactina, nos meses após o parto e na amamentação. Esta combinação hormonal reduz consideravelmente o impulso sexual da mulher. A sexualidade na maternidade recente tem inúmeras sutilezas e merece um texto exclusivo ao tema.

          Lembrando que os hormônios atuam uns com os outros, assim, pode-se equilibrar os efeitos de um estimulando a produção de outros. Sabendo que o toque estimula a produção de ocitocina,  o contato carinhoso no período pós ovulatório certamente será benéfico para o período pré-menstrual.
          Mas a ocitocina é assunto para um outro dia...

          Pra ir mais fundo neste tema, convido a participarem da palestra "A Natureza Cíclica da Mulher", na qual a dinâmica dos hormônios femininos e sua relação com a sexualidade da mulher é um dos tópicos abordados, entre vários outros importantíssimos!

          Até breve!
          Com carinho, 
          Amrita Kaur

          *Próximos cursos/palestras com Amrita Kaur